(Obs. tosco)
Um dia dá certo!
Tem que dar!
segunda-feira, 16 de agosto de 2010
segunda-feira, 2 de agosto de 2010
O triunfo do sabor
Em um mercado extremamente competitivo, as cervejas especiais conquistam cada vez mais o seu espaço no copo do brasileiro. E a tendência é que isso só aumente.
O poder aquisitivo do brasileiro cresceu. O consumo de certos produtos, antes considerados extravagantes, não é mais um pecado para o orçamento. Exemplo disso são as cervejas especiais. Produzidas com esmero artesanal, elas agradam a qualquer paladar, tanto que já ocupam lugar de destaque nas prateleiras dos supermercados e no cardápio dos restaurantes. É um segmento em franca expansão neste milionário e complexo mercado de cerveja no Brasil.
Quando o assunto é esta bebida fermentada, nós não fazemos feio. Somos o 4° mercado do mundo, segundo o Sindicato Nacional da Indústria da Cerveja. Em volume, só perdemos para a China, Estados Unidos e Alemanha. De 2004 para 2008, por exemplo, houve um crescimento de 53% na venda do produto no Brasil, chegando a mais de R$ 28 bilhões - valor parecido com o estimado para 2010.
As cervejas especiais representam muito pouco deste mercado, algo em torno de 2%; contudo, o seu consumo dobra a cada ano. Ainda não podemos nos comprar com os Estados Unidos, que arrecada U$5 bilhões/ ano somente com “as especiais”, mas já é o suficiente para aquecer a concorrência entre cervejarias por uma participação neste mercado. Entretanto, algumas empresas se anteciparam ao mercado e, com anos de experiência no assunto, tornaram-se referência, a ponto de virar alvo de desejo de grandes corporações.
Empresário cervejeiro
Mas o que é uma cerveja especial? O empresário Eduardo Bier Côrrea é pioneiro no assunto. Para ele, a cervejaria artesanal não é nenhuma novidade. “A palavra que cerca esse tipo de cerveja é degustação. É sabor. A proposta é a qualidade”, explica o proprietário da Dado Bier, que, desde 1993, vive diariamente este assunto.
Por estratégia empresarial, ele não revela seus números de produção e de vendas. Contudo, levando em conta sua forte presença nos supermercados e a impressionante marca de seus restaurantes - que recebem 50 mil pessoas por mês -, a empresa, como deixa escapar Eduardo Bier, “já está bem grandinha”. A Dado Bier começou sua história como microcervejaria. Foi a primeira do Brasil, inaugurada em 1995, em Porto Alegre.
Atualmente, existem cerca de 100 microcervejarias, das mais diversas bandeiras e estilos, em todo país. As maiores produzem de 30 a 40 mil litros por mês. Quase nada comparado à norteamericana The Boston Beer Company, dona do rótulo Samuel Adams, que produz 20 milhões de litros de cerveja artesanal no mesmo período.
Apesar da discrepância numérica, os mercados de cerveja brasileiro e norte-americano são parecidos. O estilo da bebida consumido pela maioria da população dos dois países é o mesmo. São cervejas lagers (de baixa fermentação), tipo pilsen, muito leves e de pouca cor. O que falta de personalidade é compensado com massivas campanhas de publicidade sugerindo o consumo “estupidamente gelada”.
Foi neste cenário que surgiu, nos Estados Unidos, o renascimento da cerveja artesanal (Craft Beer Renaissance). A ideia, inspirada na Europa - a Meca da cerveja -, era, basicamente, resgatar a ampla diversidade de tipos e estilos que a bebida oferece. O movimento, que existe há 20 anos na América do Norte, começou a se popularizar no Brasil na década de 90, através de nomes como o de Eduardo Bier, apresentando um horizonte de sabores, aromas e texturas de cervejas até então pouco conhecido pela maioria da população.
Amadurecimento gastronômico
Em geral, existem duas famílias que dão origem aos inúmeros gêneros de cerveja. As Ales e as Lagers. A principal diferença entre elas é o tipo de fermentação empregada no processo de produção.
As Ales são de alta fermentação, que, normalmente, se diferenciam pela aparência encorpada e o sabor frutado. Pertencem a esta família as cervejas de trigo (weiss), as Ales Belgas, Amber Ale, Ales Alemãs e Poter.
Já as de baixa fermentação são as Lagers. Diferente das Ales, não apresentam a característica frutada. São uma benção para o olfato, com seus aromas bem definidos, e para o paladar com os sabores de cereais, pão e lúpulo. As Ales escuras são conhecidas pelo sabor de café torrado. Dunkel, Bock, Rauchbier e a Pilsen (cerveja mais consumida no mundo) são exemplos de Lagers.
Esta imensa variedade até pouco tempo era desconhecida – ou ignorada – no Brasil. Mas isto é passado.
“O consumo das especiais já avançou bastante no Brasil. Não se restringe mais ao tipo pilsen. Hoje, o brasileiro não se sente, em nenhuma hipótese, desamparado, carente. São inúmeras as opções.”, afirma a mestre cervejeira paulista, Cilene Saorin. Referência no Brasil e no exterior, com mais de 16 anos de experiência profissional como especialista em degustação de cervejas para algumas das maiores companhias cervejeiras do mundo, ela vislumbra um mercado em expansão e que vem de encontro com o desenvolvimento gastronômico do brasileiro.
“O crescimento das cervejas especiais é amadurecimento gastronômico. E o brasileiro está aprendendo a comer e beber melhor. Ponto. Descobrindo o prazer de comer e beber bem, não necessariamente em volumes, a pessoa passa a escolher melhor o que irá consumir. E, lógico, os bares e restaurantes estão cuidando disso, pois têm maior demanda. Então, eles se preparam melhor para oferecer experiências gastronômicas”, analisa Cilene que, hoje, trabalha em consultoria como mestre cervejeira para a esfera industrial e como sommelier de cervejas na área gastronômica.
Cerveja chic
O Arturito é um exemplo de adaptação ao advento das cervejas especiais. O restaurante paulista, da chef argentina Paola Carossela, inovou com o lançamento de uma carta de cervejas especias, produzida por Cilene Saorin.
“A casa é especializada em vinhos. De cerveja, servíamos apenas as marcas Stella e Bohemia. Mas notávamos que faltava um produto mais especial, que fugisse do ‘ industrial’. Como nossos clientes, principalmente os estrangeiros, pediam cervejas mais elaboradas, o restaurante decidiu investir nesta tendência e oferecer mais uma opção de bebidas para harmonizar com os pratos da casa”, comenta Vini Schroeder, gerente do Arturito.
“A essência desse serviço é oferecer amplas experiências gastronômicas. Isso não quer dizer que o restaurante tenha que ter uma carta de bebidas gigantesca, mas, sim, uma certeira e surpreendente. A carta deve apresentar o inusitado ao cliente, algo que ele ainda não viu”, aconselha Cilene. No caso do Arturito, que tem uma carta de cerveja formada por 11 rótulos, a estrela é a Triple Monasterium, da mineira Falke Bier.
Você já imaginou pagar o mesmo valor de uma boa garrafa de vinho por uma de cerveja? A ideia pode parecer absurda, mas - acredite ou não -, a tendência é que tal cenário fique cada vez mais comum. Com o crescimento do mercado consumidor e da qualidade das cervejas artesanais, produtos mais requintados e caros ganharão seu espaço. E alguns rótulos já estão antecipando este futuro chic da cerveja.
A Lust é a primeira cerveja no Brasil que utiliza o método champenoise. Ela é produzida pela cervejaria catarinense Eisenbahn em duas versões: a Eisenbahn Lust e a Eisenbahn Lust Prestige. Seus preços vão de R$69 a R$85.
A Lust Prestige passa por duas fermentações e leva um ano para poder ser comercializada. Apresenta aromas frutados menos evidentes que a Lust e exibe notas de tabaco. “É uma cerveja de aromas e sabor mais elegantes, sem exageros, dourada, com espuma densa e consistente e um alto teor alcoólico”, define a Eisenbahn, cervejaria brasileira mais premiada no exterior que, em 2008, foi adquirida pelo Grupo Schincariol.
Assim como as marcas Baden Baden e Devassa, a compra da Eisenbahn faz parte de um elaborado plano do Grupo Schincariol de participação neste mercado de cervejas especiais. “Acreditamos que ainda há muito potencial a ser desenvolvido em função de todo o cenário econômico do país e a demanda crescente do consumidor por cervejas de alto valor agregado. Por exemplo, a Baden Baden e a Eisenbahn são cervejas gourmet feitas especialmente para proporcionarem experiências gastronômicas. Hoje, as cervejas especiais chegam a dividir espaço com o vinho em situações de consumo mais sofisticadas, algo impensável até pouco tempo atrás, tanto que o segmento premium já tem praticamente o mesmo faturamento que a categoria de vinhos no país”, garante Guilherme Moraes, Diretor de Cervejas do Grupo Schincariol.
Está dada a dica. As especiais estão à disposição para todo o tipo de paladar e de bolso. Seja gelada ou em temperatura ambiente, dourada ou escura, nacional ou importada, o que importa mesmo é ter opções de experimentar novos sabores. Afinal, a cerveja é a bebida mais popular do Brasil, uma verdadeira paixão nacional, o que não impede o seu requinte. Prost!
Para provar
DADO BIER
BADEN BADEN
COLORADO
DEVASSA
EISENBAHN
FALKE BIER
CORUJA
* Matéria publicada na revista Voto de julho de 2010.
** As fotos foram feitas no ótimo Finnegan Irish Pub (Rua Lima e Silva, 1052. Cidade Baixa. Porto Alegre). Recomendo.
O poder aquisitivo do brasileiro cresceu. O consumo de certos produtos, antes considerados extravagantes, não é mais um pecado para o orçamento. Exemplo disso são as cervejas especiais. Produzidas com esmero artesanal, elas agradam a qualquer paladar, tanto que já ocupam lugar de destaque nas prateleiras dos supermercados e no cardápio dos restaurantes. É um segmento em franca expansão neste milionário e complexo mercado de cerveja no Brasil.
Quando o assunto é esta bebida fermentada, nós não fazemos feio. Somos o 4° mercado do mundo, segundo o Sindicato Nacional da Indústria da Cerveja. Em volume, só perdemos para a China, Estados Unidos e Alemanha. De 2004 para 2008, por exemplo, houve um crescimento de 53% na venda do produto no Brasil, chegando a mais de R$ 28 bilhões - valor parecido com o estimado para 2010.
As cervejas especiais representam muito pouco deste mercado, algo em torno de 2%; contudo, o seu consumo dobra a cada ano. Ainda não podemos nos comprar com os Estados Unidos, que arrecada U$5 bilhões/ ano somente com “as especiais”, mas já é o suficiente para aquecer a concorrência entre cervejarias por uma participação neste mercado. Entretanto, algumas empresas se anteciparam ao mercado e, com anos de experiência no assunto, tornaram-se referência, a ponto de virar alvo de desejo de grandes corporações.
Empresário cervejeiro
Mas o que é uma cerveja especial? O empresário Eduardo Bier Côrrea é pioneiro no assunto. Para ele, a cervejaria artesanal não é nenhuma novidade. “A palavra que cerca esse tipo de cerveja é degustação. É sabor. A proposta é a qualidade”, explica o proprietário da Dado Bier, que, desde 1993, vive diariamente este assunto.
Por estratégia empresarial, ele não revela seus números de produção e de vendas. Contudo, levando em conta sua forte presença nos supermercados e a impressionante marca de seus restaurantes - que recebem 50 mil pessoas por mês -, a empresa, como deixa escapar Eduardo Bier, “já está bem grandinha”. A Dado Bier começou sua história como microcervejaria. Foi a primeira do Brasil, inaugurada em 1995, em Porto Alegre.
Atualmente, existem cerca de 100 microcervejarias, das mais diversas bandeiras e estilos, em todo país. As maiores produzem de 30 a 40 mil litros por mês. Quase nada comparado à norteamericana The Boston Beer Company, dona do rótulo Samuel Adams, que produz 20 milhões de litros de cerveja artesanal no mesmo período.
Apesar da discrepância numérica, os mercados de cerveja brasileiro e norte-americano são parecidos. O estilo da bebida consumido pela maioria da população dos dois países é o mesmo. São cervejas lagers (de baixa fermentação), tipo pilsen, muito leves e de pouca cor. O que falta de personalidade é compensado com massivas campanhas de publicidade sugerindo o consumo “estupidamente gelada”.
Foi neste cenário que surgiu, nos Estados Unidos, o renascimento da cerveja artesanal (Craft Beer Renaissance). A ideia, inspirada na Europa - a Meca da cerveja -, era, basicamente, resgatar a ampla diversidade de tipos e estilos que a bebida oferece. O movimento, que existe há 20 anos na América do Norte, começou a se popularizar no Brasil na década de 90, através de nomes como o de Eduardo Bier, apresentando um horizonte de sabores, aromas e texturas de cervejas até então pouco conhecido pela maioria da população.
Amadurecimento gastronômico
Em geral, existem duas famílias que dão origem aos inúmeros gêneros de cerveja. As Ales e as Lagers. A principal diferença entre elas é o tipo de fermentação empregada no processo de produção.
As Ales são de alta fermentação, que, normalmente, se diferenciam pela aparência encorpada e o sabor frutado. Pertencem a esta família as cervejas de trigo (weiss), as Ales Belgas, Amber Ale, Ales Alemãs e Poter.
Já as de baixa fermentação são as Lagers. Diferente das Ales, não apresentam a característica frutada. São uma benção para o olfato, com seus aromas bem definidos, e para o paladar com os sabores de cereais, pão e lúpulo. As Ales escuras são conhecidas pelo sabor de café torrado. Dunkel, Bock, Rauchbier e a Pilsen (cerveja mais consumida no mundo) são exemplos de Lagers.
Esta imensa variedade até pouco tempo era desconhecida – ou ignorada – no Brasil. Mas isto é passado.
“O consumo das especiais já avançou bastante no Brasil. Não se restringe mais ao tipo pilsen. Hoje, o brasileiro não se sente, em nenhuma hipótese, desamparado, carente. São inúmeras as opções.”, afirma a mestre cervejeira paulista, Cilene Saorin. Referência no Brasil e no exterior, com mais de 16 anos de experiência profissional como especialista em degustação de cervejas para algumas das maiores companhias cervejeiras do mundo, ela vislumbra um mercado em expansão e que vem de encontro com o desenvolvimento gastronômico do brasileiro.
“O crescimento das cervejas especiais é amadurecimento gastronômico. E o brasileiro está aprendendo a comer e beber melhor. Ponto. Descobrindo o prazer de comer e beber bem, não necessariamente em volumes, a pessoa passa a escolher melhor o que irá consumir. E, lógico, os bares e restaurantes estão cuidando disso, pois têm maior demanda. Então, eles se preparam melhor para oferecer experiências gastronômicas”, analisa Cilene que, hoje, trabalha em consultoria como mestre cervejeira para a esfera industrial e como sommelier de cervejas na área gastronômica.
Cerveja chic
O Arturito é um exemplo de adaptação ao advento das cervejas especiais. O restaurante paulista, da chef argentina Paola Carossela, inovou com o lançamento de uma carta de cervejas especias, produzida por Cilene Saorin.
“A casa é especializada em vinhos. De cerveja, servíamos apenas as marcas Stella e Bohemia. Mas notávamos que faltava um produto mais especial, que fugisse do ‘ industrial’. Como nossos clientes, principalmente os estrangeiros, pediam cervejas mais elaboradas, o restaurante decidiu investir nesta tendência e oferecer mais uma opção de bebidas para harmonizar com os pratos da casa”, comenta Vini Schroeder, gerente do Arturito.
“A essência desse serviço é oferecer amplas experiências gastronômicas. Isso não quer dizer que o restaurante tenha que ter uma carta de bebidas gigantesca, mas, sim, uma certeira e surpreendente. A carta deve apresentar o inusitado ao cliente, algo que ele ainda não viu”, aconselha Cilene. No caso do Arturito, que tem uma carta de cerveja formada por 11 rótulos, a estrela é a Triple Monasterium, da mineira Falke Bier.
Você já imaginou pagar o mesmo valor de uma boa garrafa de vinho por uma de cerveja? A ideia pode parecer absurda, mas - acredite ou não -, a tendência é que tal cenário fique cada vez mais comum. Com o crescimento do mercado consumidor e da qualidade das cervejas artesanais, produtos mais requintados e caros ganharão seu espaço. E alguns rótulos já estão antecipando este futuro chic da cerveja.
A Lust é a primeira cerveja no Brasil que utiliza o método champenoise. Ela é produzida pela cervejaria catarinense Eisenbahn em duas versões: a Eisenbahn Lust e a Eisenbahn Lust Prestige. Seus preços vão de R$69 a R$85.
A Lust Prestige passa por duas fermentações e leva um ano para poder ser comercializada. Apresenta aromas frutados menos evidentes que a Lust e exibe notas de tabaco. “É uma cerveja de aromas e sabor mais elegantes, sem exageros, dourada, com espuma densa e consistente e um alto teor alcoólico”, define a Eisenbahn, cervejaria brasileira mais premiada no exterior que, em 2008, foi adquirida pelo Grupo Schincariol.
Assim como as marcas Baden Baden e Devassa, a compra da Eisenbahn faz parte de um elaborado plano do Grupo Schincariol de participação neste mercado de cervejas especiais. “Acreditamos que ainda há muito potencial a ser desenvolvido em função de todo o cenário econômico do país e a demanda crescente do consumidor por cervejas de alto valor agregado. Por exemplo, a Baden Baden e a Eisenbahn são cervejas gourmet feitas especialmente para proporcionarem experiências gastronômicas. Hoje, as cervejas especiais chegam a dividir espaço com o vinho em situações de consumo mais sofisticadas, algo impensável até pouco tempo atrás, tanto que o segmento premium já tem praticamente o mesmo faturamento que a categoria de vinhos no país”, garante Guilherme Moraes, Diretor de Cervejas do Grupo Schincariol.
Está dada a dica. As especiais estão à disposição para todo o tipo de paladar e de bolso. Seja gelada ou em temperatura ambiente, dourada ou escura, nacional ou importada, o que importa mesmo é ter opções de experimentar novos sabores. Afinal, a cerveja é a bebida mais popular do Brasil, uma verdadeira paixão nacional, o que não impede o seu requinte. Prost!
Para provar
DADO BIER
BADEN BADEN
COLORADO
DEVASSA
EISENBAHN
FALKE BIER
CORUJA
* Matéria publicada na revista Voto de julho de 2010.
** As fotos foram feitas no ótimo Finnegan Irish Pub (Rua Lima e Silva, 1052. Cidade Baixa. Porto Alegre). Recomendo.
terça-feira, 28 de julho de 2009
E se o homem tivesse TPM?
Ok, homens não menstruam. Tô sabendo. Mas, a título de curiosidade, suponhamos que por algum motivo os homens também tivessem esta licença exclusiva ao sexo feminino de uma vez por mês entregar-se à insanidade. Enlouquecer. Assim, sem mais nem menos.E ai?
Como seria o mundo com os homens de TPM?
O que eu nunca me acostumei nas mulheres de TPM sempre foi o “elemento surpresa”, digamos assim. Um dia tudo está ótimo. A vida é bela, sabe? Ela te entende, tu entende ela. Então, um dia ela acorda e te olha diferente. Fudeu (e não falo no sentido literário). Ela está de TPM.
No primeiro contato já dá para notar: “Opa, alguma coisa está errada”, pensa o cara depois de receber um “ah, me deixa” como resposta a um romântico “bom dia”. A luz amarela acende. Os iniciantes cometem o erro de perguntar “o que houve?”. Tsc,tsc,tsc. Cagada. A grande habilidade de um homem com o mínimo de experiência nesses casos é identificar o perigo e manter uma distância segura. É importante, também, lembrar de evitar conversas complexas e de não contrariá-la. Pronto. Agora é só esperar até as coisas voltarem ao normal.
E se os homens também passassem pelos efeitos da tpm as coisas seriam diferentes? Não sei. Mas seria uma grande justiça se elas soubessem o que nós passamos durante aqueles (malditos) dias.
Até imagino...
- Aconteceu algo? – pergunta a mulher não reconhecendo o cara tristonho à sua frente, com os olhos rasos d`água.
- Porra! Claro! Tu esqueceu que o Josias... – começa a gaguejar de emoção apontando para a TV. – vai largar a Maria?
Ele olha para ela por alguns instantes buscando algum traço de compreensão. E nada.
- Como tu é insensível – diz ele, triste e de cabeça baixa.
- Mas, – fala ela – tu estava rindo da novela ontem. Debochando. “Que coisa piegas”, falava enquanto gargalhava. Nós até comentávamos que só em novela mesmo para aquela atriz gorda ser considerada “sex simbol”. Lembra?
- Não fale assim da Juju – ele levanta o dedo, ofendido como tivessem falado de sua própria mãe -, pois ela é uma diva. Além de ter cem (ele repete, como se sublinhasse o número) CEEEEEM centímetros de quadril, é, também, uma grande atriz. Gostosa e talentosa. Que mais tu pode esperar de alguém?
- Juju?
- É! É! É! – fala com um sorriso de satisfação na cara. Feliz de falar a verdade, repete lentamente – Ju...ju.
- Tá demente? Pirou? – reclama ela, caminhando de um lado para o outro, não compreendendo nada - À noite tu chama ela de baranga e, de manhã, é íntimo dela. E a chama de gostosa?! NA MINHA CARA!!!!
- É. Isso mesmo. O que tu queria? Ontem, quando eu a chamei de baranga, tu ficou meia hora me torrando a paciência dizendo que eu estava mentindo. “Ai, tu não precisa mentir pra mim”, dizia com uma cara de quem queria me matar. Agora, que falo a verdade, tu continua enchendo o saco? Porra! Escolhe o que tu quer ouvir ou não me faz pergunta difícil.
- Cara, tu tá demente*? – pergunta ela, ainda tremendo de raiva - Primeiro, tu te emociona com uma separação de novela e, agora, fica falando da bunda da atriz? MEU DEUS?! Tu... Tu... Tu precisa de ajuda profissional.
O Cara pensa um pouco. Em uma situação normal, ele mentiria. Aliás, em uma situação normal, essa conversa nunca ocorreria. Mas ele está “naqueles dias”. Ele pode se dar ao direito de ser doido. Falar algumas asneiras, chorar, perder a noção do ridículo, ameaçar, bater, comer como um touro e, depois de uma semana, simplesmente pedir desculpas. “Pô, eu tava... né? Tu sabe né? Desculpas, vai?”. Ele tinha carta branca. Era a revanche.
- Prioridades – fala ele. – É uma questão de raciocínio lógico. O que é mais importante? A trama da novela ou aquela bunda maravilhosa? – ele faz uma pausa enquanto olha para ela com uma cara de ponto de interrogação. Prevendo um soco, ele repete rápido e didaticamente. - Pri o ri da des. Saca?- Olha... – diz ela fazendo uma força desumana para continuar falando, não acreditando no que estava prestes a sair de sua boca – Eu vou relevar. Obviamente tu está fora do teu controle. Só espero que daqui uns dias tu volte ao normal.
Ele fica parado. Olha fixamente para ela. Profundamente ofendido, senta e coloca a mão nos olhos. Começa a chorar. Gradualmente o pranto se torna um fiasco.
- Tu não me enteeeeeeende! Tu é máááááááááá – esperneia.
- Mas, mas....
- Mas o caraaaalho. Cala a boca. Tu me trata como se eu fosse uma aberração da natureza. Eu tô (limpa o ranho do nariz com as costas da mão) sofreeeeeendo. E tu só pisa em mim. Tu não entende que eu não controlo o que eu falo, penso ou como?
- Tá, meu amor, eu vou te ajudar – ela senta ao seu lado, obviamente constrangida. Culpada, ela tenta se redimir. – Desculpas. Como eu posso te ajudar? Pede. Eu faço qualquer coisa.
- Qualquer coisa? – pergunta ele com uma voz infantil. “Patético, mas eficiente”, pensa ele em um lapso de sanidade imaginando a cena.
- Qualquer coisa – responde ela sem a mínima ideia da cagada que acabara de fazer.Com um pulo do sofá, ele começa a caminhar com a mão no queixo, olhando para o teto e pensando no que pedir.
- Eu quero cerveja – fala decidido.
- Ok – concorda sem perder logo em seguida a chance do deboche – Lógico. O que mais poderia se pedir, né?
- É. Isso mesmo. Mas não me vem com aquela água batizada que tu compra em promoção. Nãããão. Quero das importadas. É o mínimo que tu deve fazer depois de me tratar como um pedaço de carne sem sentimentos.
- Ok.
Um breve instante de silêncio que é logo interrompido.
- Fala comigo – diz ele, ainda choroso.
- Mas eu estou falando – responde ela, já visivelmente sem paciência sentada à frente da TV.
- Tá nada. Tu tá apenas concordando comigo. Tu não entende, né? Estou com problemas. Preciso de compreensão. E cerveja!
- Eu não tô aqui?
- Tu não entende – fala ele sem dar a mínima atenção para o que ela diz – que eu estou ficando barrigudo, careca e cada vez com mais pelos nas minhas costas? Sem contar os meus cabelos brancos e AQUELA MERDA DO TÉCNICO DO MEU TIME QUE NÃO ESCALA O JONÍLSOM!!!!!! TUDO! TUUUUUUDO DÁ ERRADO!!!
- Tá nada – tenta animá-lo -, meu amor. Ó... – começa a passar a mão na cabeça dele – tu coloca a franja pra frente e nem dá para notar as entradas.
- Pensa comigo! Todo mundo sabe que o Jonílsom é muito mais apoiador que o Túlio. Ia melhorar a lateral. Tu entende, né? – pergunta a ela como se fosse a coisa mais importante do mundo.
E “ai” dela que não ache.
***
Uma semana depois, ele estaria bem. Voltaria ao normal. Então, chegaria a vez dela. E garanto que as coisas seriam mais calmas, pois, agora, ela saberia o que é estar do outro lado. Saberia o que é ser todo o mês uma canalha, incompreensível e sem razão.
***
* não usei o “tu tá loco”, pois é uma expressão nossa. “Tu tá loca?” é patenteado.
segunda-feira, 27 de abril de 2009
Sobre o amor e as melancias
Esqueçam as historias de amor melosas, sem graça e irritantemente sempre tão previsíveis de Hollywood. Falemos de algo mais real, mais humano, mais latino, mais “bagunçado”. Lembremos de algo que realmente valha ser lembrado. De um casal unido pela traição, inveja, sacanagem, comunismo, talento e melancias cortadas.
Diego Rivera e Frida Kahlo formaram um dos casais mais infiéis da história da humanidade – o que não quer dizer que não eram apaixonados incondicionalmente um pelo outro. O problema é que as provas de amor vieram tarde demais. Egocêntrico, Diego, mesmo depois de mundialmente famoso por sua arte, não cansava das luzes do sucesso e das biscas que a fama lhe rendia. Trabalhador compulsivo e mulherengo assumido, unia o útil ao agradável. Tinha uma mulher em cada cidade que era chamado para trabalhar. Porém, deixou a cagada de mestre para fazer bem debaixo do buço de Frida, traindo-a com sua irmã mais nova, Cristina. O “fato” quase a matou de desgosto.De saúde muito frágil desde a adolescência, quando sofreu um grave acidente de ônibus, comprometendo sua coluna até o fim dos seus dias, Frida foi íntima da dor. Quando não sofria fisicamente, sofria pelas constantes traições de Diego. Já que não conseguia se ver livre das dores do corpo, as do coração, ao menos, ela poderia diminuir. Assim como Diego, começou a olhar para os lados. Foi ser feliz com outros – e outras. “Meu prazer na vida é fazer sexo, tomar um banho e fazer sexo novamente”, dizia. E trepava amava... Nem o famoso Trosky, durante seu exílio no México, suportou os encantos de Frida. Foram amantes por meses, até o relacionamento perder o encanto e a mexicana começar a chama-lo de “o velho”.
Em 38, a convite de André Breton, Frida viaja à França para expor suas telas. Em Paris, conhece os principais nomes do surrealismo, entre eles, Dali. Sua obra é taxada de surrealismo, fato que em nada a deixa feliz. “Nunca pintei sonhos”, escreveu em seu diário sobre o caso. Aliás, sobre os surrealistas franceses, ela pegou pesado: “Bando de vagabundos. Ficam dias inteiros a esquentar seus cultos traseiros sobre cadeiras de cafés discutindo política e cultura. No dia seguinte, nada tem para comer em suas mesas, pois não trabalham”.
E as melancias?
Ficou pouco tempo na França, uns três meses. Sentia saudades do México. Retornando, casa-se novamente com Diego. Mas nada mudara. Nem para ela, muito menos para Diego. Traições e guerras de vaidade continuavam a fazer parte do cotidiano do casal. Sua saúde piora muito no início da década de 50. Sua companheira de toda a vida, a dor, diferente de Diego (que continuava a “viajar”), está mais presente do que nunca. Ela é diagnosticada com uma gangrena no pé e amputa parte da perna direita. Era o começo do fim.
Sabendo das péssimas condições de saúde de Frida, Diego retorna de uma de suas viagens de trabalho. Mas já era tarde e nada poderia ser feito. Ela morre em 13 de julho de 54, vitima de pneumonia (há teorias que apontam para um possível assassinato realizado por uma das amantes de Diego). Três dias antes de sua morte, debilitada em sua cama, finaliza sua última tela: uma “natureza morta”. Melancias cortadas pintara Frida. Como se despedisse, escreve em letras garrafais “VIVA LA VIDA” (foto acima) seguido do local e data.
No caso de Diego, a máxima popular “se arrependimento matasse...” não poderia ser utilizada, pois realmente o matou. “Da noite para o dia, ele ficou um velho decrépito”, descreveu um amigo do casal sobre Diego durante o funeral de Frida. O antigo Diego nunca mais existiria. Do orgulhoso e talentoso artista restou apenas um velho amargurado. Morreu três anos depois, em novembro de 1957, triste e sozinho. Só dera o verdadeiro valor à Frida após sua morte, e não tinha medo de admitir. Então, como se fosse uma redenção, lhe prestou uma última homenagem. Assim como Frida, despediu-se do mundo e eternizou seu amor com um quadro: melancias cortadas (foto abaixo).

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sexta-feira, 3 de abril de 2009
Grenal no centenário colorado
O time do banhado, ops, do colorado, completa cem anos. E por que não dar os parabéns?
O Internacional comemora seu centenário no próximo sábado (4 de abril). Agora, em um ato extremo de humildade, de bom senso, tenho que dizer: parabéns ao Colorado. Que a civilidade seja respeitada e que esta data (com uma distância regimental, óbvio) orgulhe a todo porto-alegrense, independente da sua preferência futebolística.
É complicado admitir, mas, enfim, verdade seja dita, tenho uma ligação muito próxima com Internacional – fazer o quê? Estudei praticamente minha infância e adolescência inteira em frente ao Beira Rio. E não era fácil. No Colégio Maria Imaculada, aproximadamente 60% dos meus colegas eram “vermelhos”. Até os professores, volta e meia, apareciam fardados com as cores do Inter em sala de aula.
No condomínio dos meus pais, onde me criei, a média é pior ainda. Sério. Os gremistas devem ser apenas 20% dos moradores. Teve uma infeliz época em que todo final de jogo que o Inter saísse com o resultado positivo, os meus nobres amigos faziam uma comovente homenagem (independente da hora que fosse) sob minha janela. “Chico, veado. Chico, Veado”, berravam com uma bandeira gigante de uma torcida “organizada” que eles integravam na época. Aquela tigrada me incomodava.
A segunda vez que aconteceu o que aconteceu, eu já estava na Faculdade (que ficava bem longe do Beira Rio). Doeu. Mas a humilhação foi menor. Quando se é mais velho, a arte de ficar invisível é mais fácil.
No mesmo prédio do Fernando, moram (agora não, pois estão na Europa assaltando alguém) os irmãos Bresciani – ou algo que o valha. Guilherme e Bernardo. Neste caso, a doença é de família. A nata da chinelagem colorada no Cristal. Os dois beiram o insuportável quando o assunto é o Inter. O Bernardo (Cauê) é tão folgado que quando discutimos futebol, até o sorriso dele me ofende. Que guri debochado. Está do outro lado do Atlântico e, mesmo assim, não deixa de me tirar um sarro toda a vez que o Grêmio tropeça. Foda!
Hoje, os dois times estão parelhos. O Inter tem um elenco melhor, mas disputa apenas ruralito. Já o Grêmio, compete na Libertadores, campeonato que é especialista. Quanto ao clássico de domingo, um dia depois do colorado apagar suas velas vermelhas, espero que o Grêmio felicite o co-irmão com uma bela vitória. “Pro dia nascer feliz”, como diria Cazuza, que o tricolor da Azenha ganhe e que as coisas voltem ao normal por que nada pode ser maior.
O Internacional comemora seu centenário no próximo sábado (4 de abril). Agora, em um ato extremo de humildade, de bom senso, tenho que dizer: parabéns ao Colorado. Que a civilidade seja respeitada e que esta data (com uma distância regimental, óbvio) orgulhe a todo porto-alegrense, independente da sua preferência futebolística.É complicado admitir, mas, enfim, verdade seja dita, tenho uma ligação muito próxima com Internacional – fazer o quê? Estudei praticamente minha infância e adolescência inteira em frente ao Beira Rio. E não era fácil. No Colégio Maria Imaculada, aproximadamente 60% dos meus colegas eram “vermelhos”. Até os professores, volta e meia, apareciam fardados com as cores do Inter em sala de aula.
No condomínio dos meus pais, onde me criei, a média é pior ainda. Sério. Os gremistas devem ser apenas 20% dos moradores. Teve uma infeliz época em que todo final de jogo que o Inter saísse com o resultado positivo, os meus nobres amigos faziam uma comovente homenagem (independente da hora que fosse) sob minha janela. “Chico, veado. Chico, Veado”, berravam com uma bandeira gigante de uma torcida “organizada” que eles integravam na época. Aquela tigrada me incomodava.
Invisível
E assim era minha vida: um inferno em casa e no colégio. E teve momentos em que o que já era uma bosta ficou pior. Muito pior. Vocês acham que é fácil a arte da invisibilidade? Sim. Porque foi justamente isso que eu fiz quando o Grêmio foi rebaixado para a ... enfim, vocês sabem. Eu sumi do condomínio. Mas do colégio... putz! Do Colégio eu não poderia escapar. “Ão, ão, ão, segunda divisão”, lembro muito bem dessas palavras cantadas pelo coro de colorados do colégio durante um mês, aproximadamente. Cabeça baixa, orgulho espancado, entrava em aula como quem vai visitar a forca. Era uma merda.
A segunda vez que aconteceu o que aconteceu, eu já estava na Faculdade (que ficava bem longe do Beira Rio). Doeu. Mas a humilhação foi menor. Quando se é mais velho, a arte de ficar invisível é mais fácil.
Com amigos assim....
Era inevitável. Cercados por colorados, eu só poderia ter amigos colorados – fazer o quê? E, como se não bastasse serem colorados, meus amigos ainda pertencem a categoria dos chatos, sabe? Daqueles que incomodam. Que ligam quando o Grêmio perde e que não atende o telefone quando o resultado me é favorável. O Fernando, por exemplo, é um dos caras mais honestos, sinceros e camaradas que conheço. Agora, falou do Inter, fudeu. Vira um insano. Doente mesmo. Discutir futebol (Grêmio X Inter) com ele é como falar com uma porta.
No mesmo prédio do Fernando, moram (agora não, pois estão na Europa assaltando alguém) os irmãos Bresciani – ou algo que o valha. Guilherme e Bernardo. Neste caso, a doença é de família. A nata da chinelagem colorada no Cristal. Os dois beiram o insuportável quando o assunto é o Inter. O Bernardo (Cauê) é tão folgado que quando discutimos futebol, até o sorriso dele me ofende. Que guri debochado. Está do outro lado do Atlântico e, mesmo assim, não deixa de me tirar um sarro toda a vez que o Grêmio tropeça. Foda!
Ainda na colônia, agora na alemã, tem o Becker que é outro sem noção. E o pior: é piadista, sabe? Para vocês terem uma idéia, na quarta-feira (dia1° de abril), a frase do cara no msn era “Pelaype’s day”. Na Assembleia, onde trabalho, há o Marcelo. Ex-colega de faculdade, grande jornalista, leal amigo, mas burro. Não entende nada de futebol. É um perseguidor do Alex Mineiro tão feroz que causaria inveja aos inquisitores da Europa Medieval. Para ele o Tayson (a maior mentira do futebol gaúcho nos últimos anos) é o novo Pelé. Burro e sonhador, assim é o Marcelo quando fala de futebol.
Mas, mesmo assim, digo: a todos vocês, seus malas, a pesar de tudo, meus parabéns!
Água no chopp
A brincadeira faz parte do jogo. Assim como escutei muita merda, falei também. Não é à toa a provocação, eu sei. Quando o Grêmio levantou todas as taças possíveis com o grande Felipão, eu cagava na cabeça de colorado. E era bacana. Tipo chutar cachorro morto, saca? Eles não tinham nem dinheiro para material de treinamento, quanto mais para montar um time decente. E o Grêmio absoluto, com Jardel e Paulo Nunes cansando de fazer gols. Era lindo.
Hoje, os dois times estão parelhos. O Inter tem um elenco melhor, mas disputa apenas ruralito. Já o Grêmio, compete na Libertadores, campeonato que é especialista. Quanto ao clássico de domingo, um dia depois do colorado apagar suas velas vermelhas, espero que o Grêmio felicite o co-irmão com uma bela vitória. “Pro dia nascer feliz”, como diria Cazuza, que o tricolor da Azenha ganhe e que as coisas voltem ao normal por que nada pode ser maior.
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